terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Fica mais Papai Noel!

Já passa da meia noite e na verdade ainda demora um dia inteiro para o Natal.. mas, como aqui no Brasil a gente é do contra pra quase tudo, o espírito natalino já tomou conta de mim. 

A primeira imagem que me vem a cabeça, é o projeto de árvore que eu tinha no Natal passado. Comprei tudo em uma loja da china por 30 euros: luzinhas, bolas, tudo combinandinho em vermelho e dourado igual a mamãe ensinou! Esperei ansiosa por uma prova e uma viagem de final de semana para decorar a árvore junto com as colegas de apartamento e lá ela ficou (até julho, hehe)


Não colocamos nenhuma carta para o papai noel e sob a árvore só havia poeira e batatinha do pingo doce, mas o bom velhinho não nos esqueceu, e tenho mais motivos para agradecer do que poderia imaginar!

A todos os meus amigos ao redor do mundo, a todas as pessoas que de certa forma estiveram presentes na minha vida neste ano, que compartilharam momentos, sorrisos, um fino, um shot, uma resolução de "TPC". A todos que me receberam de volta com abraços calorosos, a todos que estiveram comigo mesmo que por pouco tempo, desejo que tenham um natal iluminado e cheio de presentes tão bons quanto vocês foram pra mim! 

À minha família, vocês não sabem a falta que fizeram no ano passado, que bom que podemos estar juntos de novo!

Que o Pai Natal seja tão generoso como sempre, e que o espírito natalino permaneça!
Feliz Natal, e um ótimo Ano Novo!







quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Pequeno dicionário da Língua Portuguesa (em "brasileiro")

Brasileiro vs Português (que diziam que eu não sabia falar!)

Absorvente - Pensos Higiênicos
Açougue - Talho
Aterrissar - Aterrar
Adolescente - Puto
Bala - Rebuçado
Banheiro - Casa de banho
Bobo - Totó
Bonito/a - Giro/a
Bunda – Rabo
Café da Manha - Pequeno Almoço
Calcinha - Cueca
Moletom – Camisola
Camista - T shirt
Canudinho - Palhinha
Cancer - Cancro
Cego - Invisual
Celular - Telemóvel
Cueca - Boxer
Curativo - Pensos
Decolar - Descolar
Descarga – autoclismo
Endereço - Morada
Esporte - Desporto
Fazenda - Quinta
Galera - Malta
Goleiro – Guarda-redes
Homossexual – Paneleiro
Impostos – Propinas
Legal - Fixe/Porreiro
Lugar - Sítio
Maiô - Fato de Banho
Moço/a - Gajo/a
Muito - Bué
"Notebook" - Portátil
Muito Legal - Altamente
Ônibus – autocarro
Parada – paragem
Pedágio - Portagem
Salva-Vidas - Nadador Salvador
Sanduiche - Sandes
Shorts - Calções
Sorvete – Gelado
Suco - Sumo
Terno – Fato
Time - Equipa
Torrada - Tosta
Trem – Comboio
Xícara - Chávena

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Dois meses de saudade

Eu fico me perguntando se a opinião é geral ou se sou egoísta demais para perceber que já passou da hora de parar de falar em saudade. Tão egoísta quanto começar todas as frases com "eu", como a minha avó diz que os alemães fazem, ou então insistir em postar sobre uma viagem que acabou dois meses atrás.

O fato é que, mesmo depois de pousar no Brasil em um avião cheio de brasileiros (ah como aquele sotaque fez falta), chegar em casa (que demorou um pouco pra voltar a ser minha) e enviar ao CNPq os papéis de conclusão do intercâmbio, eu nunca vou acreditar que acabou. 

Os amigos que fiz, os lugares que vi, as histórias que vivi. Tudo o que eu aprendi, senti e conheci, nada acaba. Levo comigo para a vida. E os esforços que faço para manter o máximo de contato possível com tudo que passou é a tentativa de manter vivas as memórias. 

Quero lembrar de cada festa, esquenta (ovo, árvore, fita adesiva, cama quebrada, óleo usado..), caminho, viagem de ônibus, trem, avião, 34 e 38 (campanha: mais auto-carros para o pólo II!), praça, vinho, shot. Todas as mil igrejas que visitei, as comidas que eu inventei, os restaurantes onde comi, as sandes, e até os ginásios. As capas e suas utilidades, os portugueses e suas manias, os finos, os pasteis de nata, o sotaque (ah o sotaque..!). Da Sé Velha eu não quero esquecer nunca. Do Cabido, do Bigorna e do RS. 

Quero lembrar até da saudade, a prova de que tudo valeu a pena :)







segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Limpando as gavetas

Passei dez meses com "frio na barriga". Posso citar mil e tantas experiências que desencadearam esse fenômeno, mas não preciso. Contei tim tim por tim tim nas outras páginas do blog que convido o mundo a ler. E confesso que eu mesma já re-li muitas.

As vezes eu queria ter uma máquina do tempo. Queria voltar para quando eu ainda não sabia o que era Coimbra, se ia conseguir até o final, o que seria de mim hoje, se teria ou não o que dizer aqui, e se alguém (que não fossem os meus pais) se interessariam. Voltar para quando eu não tinha medo de esquecer!

Comecei e recomecei esse desfecho muitas vezes. O fim de um livro não precisa agradar a todos, mas tem que ser no mínimo bem escrito. Bom, não sei quanto a vocês, mas eu estou muito contente por estar de volta, cercada de pessoas que amo e que devem me amar muito também, por que ainda não se cansaram de me ouvir falar, repetir e dizer de novo tudo aquilo já tinha contado duas ou mais vezes!

Deixar Coimbra é como se desfazer de uma calça jeans (daquelas que vestem muito bem) que já não serve mais. Por mais cara que tenha sido, por mais bonita que ficava, você precisa tirar ela do armário e abrir espaço para as novas! Quando encontrar alguém na rua usando uma igual, vai morrer de inveja, é verdade... Mas os amigos que você fez usando-a, ainda vão estar lá, as memórias, ainda vão estar lá, as fotografias, faça um álbum inteiro só para elas, e as saudades, um dia a gente volta e mata todas elas!







segunda-feira, 15 de julho de 2013

Porque eu adoro falar República Checa - Praga

Me apaixonei por Praga, literalmente, à primeira vista. Através das janelas sujas do ônibus de 19,50 euros da Eurolines, sem saber para onde olhar, por que cada lado do rio era mais bonito que o outro! A cidade tinha um pouco de todas as outras que já visitei. Os telhados verdes de Copenhagem, as avenidas largas e arborizadas de Paris, os prédios antigos de Londres, os canteiros floridos Alemães e Holandeses, as cores da Itália, e pra completar, o incrível e único relógio astronômico de Praga.
Museu Nacional

O relógio é lindo e inútil ao mesmo tempo. Isso porque até conseguir ler a hora certa já deve ter se passado um bom tempo e você provavelmente já estará atrasado. Mas seus ponteiros indicam a hora do por e nascer do sol, o dia do ano, a fase lunar e o zodíaco. Conta a lenda que é único no mundo porque os cidadãos o amavam tanto, mas tanto, que queriam não queriam que ninguém tivesse um igual àquele, então arrancaram os olhos de quem o construiu. Dramas europeus, vai entender!



Caminhar pela cidade foi o ponto alto da viagem. De lojinha em lojinha, barraca em barraca, olhando o preço de tudo, absorvendo o máximo dos cheiros e sabores da cidade. As marionetes de madeira fazem sucesso por lá, a cidade é considerada a Capital mundial da Marionete, e é cheia dos pequenos (e grandes) teatros de bonecos. Fica a dica para quem quiser uma lembrança (boa e cara lembrança) da cidade, atenção especial para as conversões!
Teatro Nacional de Marionetes


Para os maluquinhos, ou de orçamento reduzido, a lembrancinha pode ser convertida em um imã bonitinho ou em uma garrafinha de Absinto, que sai pelo mesmo preço de uma cerveja! O que eu descobri é que Absinto deve ser diluído, com um torrão de açúcar, e não bebido puro igual essa gente doida que vive no Cabido Bar faz, não não não..


Das delicinhas que encontrei por lá não faltou crepe de Nutella (2 eurinhos), muita salsicha com pão e com chucrute, copões de cerveja e "trdelkík" - algo como um pão oco assado na hora e passado pelo açúcar com amêndoas e canela!


O Castelo de Praga fica bem bem bem no alto da cidade, mas a subida é, como sempre, compensada pela vista da cidade lá de cima, e pelos jardins, tenho que dizer. São lindíssimos, apesar de o castelo não ser lá bem onde a Cinderela moraria, os jardins com aquela vista que irrita de tão bonita e difícil de registrar numa foto, são um ótimo lugar pra perder algumas horas da visita. 

Charles Castle - O melhor rei da República Checa

Wenceslau Square

Igrejas, claro, estavam sempre presentes no nosso roteiro, mas dessa vez houve uma que foi a menina dos meus olhos. A faxada branquinha não dá ideia nenhuma da preciosidade que abriga a igreja de Nossa Senhora Vitoriosa. Uma estatueta do pequeno menino Jesus, a quem foi atribuído diversas graças, desde que bem cuidada e venerada. Sua história, de protetor e salvador, especialmente da infância, encantou o mundo e até hoje recebe novenas e presentes vindos de todos os lugares.

Menino Jesus de Praga
Praga tem até uma mini torre Eiffel, não precisava de mais nada pra ficar do ladinho de Paris no topo da lista das cidades preferidas.. essa vai dar saudades!



sexta-feira, 12 de julho de 2013

O começo da última - Munique

Paris, Londres e Roma são os destinos favoritos do velho mundo. A minha imaginação não ia muito além e me surpreendi quando Praga, Viena e Budapeste tiveram que se apertar entre os primeiros lugares no ranking das minhas cidades preferidas. Cruzamos os dedinhos para passar em todas as provas e não precisar dos recursos e marcamos nossa última viagem uma semana antes da volta ao Brasil. 


Começamos por Munique, porque para chegar no leste tem que começar por algum lugar, e como foi difícil decidir! Foi uma boa escolha, apesar dos tropeços no começo da viagem. Como alguém pega uma mala que não é sua eu ainda não descobri, mas foi o que fizeram com a Mari, e a coitadinha passou o dia com roupas emprestadas (vestido da Lefties que ficou liindo em todas!) sem notícias da mala desaparecida.


Munique não funciona ao domingos! Nada abre, nenhuma lojinha de souvenir sequer. Por isso aproveitamos e conhecemos todos os pontos turísticos da cidade, que é uma gracinha, a pé. Tudo florido, limpinho e organizado. Chegamos na Marienplatz e ficamos de butuca na explicação do guia turístico dos outros enquanto esperávamos o Glockenspiel ("jogo de sinos") que, segundo a guia, é a segunda maior decepção da europa, logo depois do relógio de Praga. Na minha opinião, nada é decepcionante quando não se cria expectativas, e os bonequinhos coloridos girando no topo da Nova Prefeitura de Munique foram até bem fofos.

Encontramos nosso lugar ao sol na pracinha da Theatiner Kirche, uma imponente igreja amarela que perdeu toda a nossa atenção para as salsichas gigantes e todas as delicinhas alemãs da feirinha logo à sua frente. 
Depois de bem alimentadas, bratwurst no pão coberta com muita maionese e mostarda, partimos para Leopoldstrasse, onde encontramos uma feira de rua interminável com todos os tipos de barracas, de comida (crepe de Nutella que vai deixar saudades), artesanato e contribuições para instituições carentes! 

Quando cansamos de procurar souvenires (nenhum por menos de cinco euros), babar nas tortas e desviar de crianças com balões viramos qualquer rua a direita para encontrar o English Garden, um parque maior que o Central Park de NY! O lugar era lindo, e a brendinha deixou um pouco do almoço e da sobremesa em cada canto que parávamos. Malditas comidas de rua do Marrocos! 



A noite no hostel foi animada por um australiano vestido de tigre/guaxinim e às seis do outro dia estávamos de partida para Praga, felizes da vida porque ônibus não tem limite de tamanho para as malas, TODAS as malas! 







Amsterdam sob um guarda-chuva

Acho que passagem mais cara que comprei durante o intercâmbio custou 130 euros, e foi a ida e a volta direto ao aeroporto principal de Amsterdam. Existem passagens mais baratas para países próximos e viagens curtas de ônibus que te levam para a cidade, mas queríamos mesmo conhecer especificamente o destino preferido de tantos dos nossos amigos!

Acreditem, não é pela maconha, nem pela putaria. Amsterdam é uma cidade muito fofa, com ruazinhas deliciosas à beira dos canais que dão vontade de deixar o mapa na mala e se perder até anoitecer. Pena que o anoitecer era pelas onze da noite, o vento à beira do canal destruía nossas sombrinhas de 3 euros e as roupas que escolhemos para usar no final de junho não esteve condizente com o clima! 

Nosso roteiro incluía chegar de manhã, tomar um café e circular os pontos turísticos, ir de bicicleta até a micro cervejaria do moinho e comer um space cake do coffeeshop mais renomado da cidade, o Bulldog. 
Saindo da estação de trem, que é lindíssima, fui carregada por bicicletas circulando em um transito frenético na sua própria faixa. Aliás, lá até a faixa de pedestres é tomada por elas encostadas umas nas outras em qualquer lugar que dê pra amarrar uma corrente! Conclusão: aluguel de bicicleta cancelado. 

Pegamos, então, nosso mapinha como combinado e fomos procurar o que fazer. Parques, pontes, Red Light, todas as lojas de souvenir possíveis e as famosas letras gigantes! 

Queria bater a "tradicional foto na ponte", mas aí cheguei lá e descobri que Amsterdam tem mais de 1000 pontes e foi apelidada de Veneza do Norte. O melhor é que cada ponte é mais bonita que a outra, e no verão ficam cheias de flores e bicicletas com cestas penduras, uma gracinha!

Dica: se quiser ver tulipas verdade, não as artificiais das lojas de souvenir ou nas fotos dos pacotinhos de sementes vendidos em todos os cantos da cidade, vá visitar a Holanda do meio de março até meio de maio, ou suas expectativas não serão atingidas, como as minhas!

O Red Light district foi um susto. Fomos à luz do dia, quando as vitrines estão, na sua maioria, vazias. Entramos na Condomerie, a loja que vende preservativos pintados a mão, e outras coisas que até Deus duvida e depois, passeando pelas ruas demos um salto quando uma, que parecia um manequim, começou a se mexer! É exatamente assim, uma manequim exibindo uma lingerie ou qualquer roupa minúscula, dançando, conversando e chamando pra dentro qualquer pedaço de carne que passar na sua frente! Fotos são absolutamente proibidas então, deixo vocês com essa imagem. 

Cansadas da chuva e do vento, decidimos incluir no roteiro o Museu "Casa da Anne Frank". Melhor decisão impossível. O museu não tem muito de museu, é super interativo, mas não daquele estilo: "o que você acha que aconteceu com o Rei que foi enforcado aqui". O interessante é que, por exemplo, pra quem não conhece a história, acaba se vendo dentro dela!

Anne Frank era filha de judeus que decidiram se esconder quando a cidade foi invadida pelos nazistas. Ficaram lá durante dois anos, ao longo dos quais ela manteve diários, que foram descobertos mais tarde, pelo seu pai, o único sobrevivente. O museu é todo baseado no diário e em depoimentos de pessoas que conviveram com os foragidos. Anda-se pela casa e lá estão ilustradas todas as passagens do diário: os tracinhos do crescimento de Anne e sua irmã na parede, as janelas pintadas de preto, a decoração do quarto dela, feita com recortes de revistas que traziam para ela, o banheiro onde, por vezes, não se podia dar descarga devido ao barulho, a estante que ficava em frente a porta do esconderijo, e o diário, que virou um livro traduzido em mais de 30 línguas, meticulosamente conservado! Vale a pena a visita!


O tão esperado bolinho não foi tudo o que dizem, mas guardei a caixinha de recordação. 
Recordações mesmo não faltam!